CONSTRUIR BRASILIA OU DESENVOLVER O PAÍS?

Desenvolver, identificar e denunciar as forças que promovem a
corrupção são os objetivos imediatos da ação desenvolvida pela lajato,
a semelhança do caso italiano das mãos limpas. O seu sentido mais
imediato é o de desenvolver as forças políticas que combaterão esse
mal que é congênito à prática política e administrativa brasileira.
A corrupção generalizada que a ação dos magistrados revelou na Itália
e está fazendo no Brasil é a indicação de concessões e privatizações
das maiores empreiteiras para desenvolver obras públicas no país.
Elas lançam mão de todos os meios para dominar politicamente, em todos
os níveis – municipal, estadual e federal – o Estado e a politica,
controlando parlamentares e partidos, dirigentes de ministérios e
secretarias.
A vida política e administrativa do país não pode permanecer solta ao
vento, como sempre. Cabe aqui lembrar o que nos ocorreu recentemente
ainda, ao tempo do governo Juscelino Kubtscheck. Apoiado na força do
povo carente e políticamente desorganizado da sua época, ele decidiu
apresentar a construção de Brasília como centro da sua ação
politico-administrativa; a obra da construção de Brasilia foi então o
meio no qual ele se apoiou para mobilizar o país, desviando os
ventos que desde Getúlio e sobretudo
Jango sopravam no nosso cenário sócio político e ideológico, exigindo
as reformas de base que o país reclamava..
O quadro de grande oportunidade mudancista que o país requeria para se
modernizar valeu-se, então, da esperteza de Kubtscheck. O período
posterior, sob o governo Goulart voltou a insistir nas exigências que
agitavam o povão. O clima econômico, social e político que resultou
disso levou as forças conservadoras apoiadas na esperteza nacional
suicida a agitar o clima sócio-politico e jogar o Brasil no golpe
militar de l964. O grande trunfo da construção de Brasilia foi
apresentado sob a aura do apoio aos esfomeados e desempregados do
país como aparentado ao espírito das reformas de base.
A discussão da crise política atual se concentra no desdobramento das
grandes mobilizações que agitam a vida do país. É esse o curso das
coisas apoiadas também na lavajato, envolvendo e desafiando as forças
políticas que devem indicar o rumo das decisões. O debate toma conta
da imprensa falada, escrita e das redes da internet envolvendo os
elementos programáticos mais importantes para a organização da luta.
As lideranças se agitam sabendo que o tempo pede ação imediata para a
solução dos impasses. Todos já sabem que esta não é uma questão
secundária nem algo que possa ser resolvido em banho-maria, esperando
passivamente chegar a hora. O debate indica que se atuarmos assim a
hora de tirar o pais da crise não chegará, de novo, tão cedo.
Impedir que o país saia da sua crise e procurar caminhos
conservadores é sempre o objetivo central das forças dominantes. As
forças mais vivas devem no entanto identificar e procurar se
mobilizar para enfraquecer estas forças.

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